Um dia nos calhaus

O convite surgiu por intermédio do Kézia. Uma volta de BTT para os lados de Mondim. Falava numas novidades: umas minas abandonadas, um canal. Percebia-se a angústia da busca de algo novo para mostrar. Compareci à hora marcada em Mondim. Desta vez pude retribuir a boleia ao Tico. Os restantes também não se atrasaram.

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Contemplado as Fisgas de Ermelo

Depois dum pequeno aquecimento pela estrada que segue para Cerva começámos a ascensão de trilhos na vertente do Monte Farinha. Quase com o mesmo entusiasmo com que o outro apresenta igrejas, o nosso guia ia-nos mostrando as pedreiras onde em tempos veio carregar camiões com as entranhas da encosta.

O entusiasmo e os corpo, entretanto aquecido pela subida, não tardou em esfriar com as largas dezenas de minutos consumidos a resolver o problema do Tico que, tal como o autor destas palavras, não arranja forma de se entender com o tubeless. Curiosamente todos encararam a situação com a bonomia que, quiçá fruto de algum alinhamento dos astros, se manteve ao longo de todo o dia.

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Fomos contornando a encosta para leste, em direcção a Limões. Os trilhos eram interessantes, com alguma rocha no solo fazendo lembrar a Peneda. As tais minas dão pelo nome de Adoria. Parece que de lá se extraía volfrâmio. Tive pena que não houvesse um pequeno desvio e pausa para ir espreitar as ruínas. Estas coisas fascinam-me. Bom, sempre fica uma desculpa para lá voltar.

Algumas rampas iam-nos testando o físico e por volta do meio-dia o pessoal já desejava um café onde pudesse beber algo que não apenas simples água para acompanhar a merenda transportada nas mochilas. A Tasca (da Ti Alice) em Bobal era a paragem óbvia e também a única conhecida ao longo do percurso… mas estava encerrada para férias. Receei pela saúde de alguns, não habituados a passar tantas horas sem uma “jola”. Depois de implorar sem sucesso à vizinhança por uma garrafa de vinho, dada ou comprada, acabou por ser o Daniel a apelar à compaixão de alguém que tinha a chave do estabelecimento e que lá nos forneceu umas cervejas à temperatura ambiente. Que bem combinaram com o salpicão e o queijo da ilha.

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Ainda tentei encontrar uma cache que havia ali perto, antes de partirmos, mas como não apareceu de imediato, e com receio de aborrecer a comitiva com a demora, também ficou para outra ocasião.

Seguiram-se então trilhos que requeriam alguma técnica. Como ninguém se aleijou, todos gostaram. Passámos pelas encostas de Varzigueto mas desta vez em sentido descendente. Aquela velocidade não houve Homem da Marreta que nos caçasse.

Fui surpreendido com a agradável surpresa de a certa altura chegarmos a um miradouro para as Fisgas na margem esquerda do Olo. Local impressionante e de grande beleza, além disso incomparavelmente mais calmo que o concorrido miradouro da outra margem. Sair dali obrigou a algum “transporte de bicicleta com apoio dorsal”, como não podia deixar de acontecer.

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No outro miradouro deixámos alguns conselhos para jovens casais que por ali andavam e seguimos para a secção final do nosso percurso que nos levaria de volta a Mondim. Umas bem duras centenas de metros de subida colocaram-nos a meio duma encosta que depois contornámos ao longo de vários kms até descermos para Vilar de Ferreiros. No entretanto, mais um furo do Tico.

Finalmente… o tal canal. Uma levada com um carreiro na beira e que se prolonga… por uma considerável distância! A coisa não é complicada de percorrer mas é preciso estar atento. Uma distracção pode significar água de um lado ou trambolhão do outro. Foi engraçado.

Podiam ser 7 magníficos, 7 samurais, 7 cavaleiros mas foram apenas 7 esfomeados que entraram na cidade e se dirigiram de imediato à tasca do costume, onde já eram conhecidos de outras andanças. Bebida, presunto, pão e marmelada de maçã.

Podem ver mais fotos aqui ou então, se preferiram, também têm rabos e calhaus:

Um dia nos calhaus